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FILMES DE JUNHO/2008

LADY AND THE TRAMP, EUA 1955 - Dir.: Clyde Geronimi & Wilfred Jackson
A beleza estética que os clássicos Disney retém acentuada, mas a grande magia fica provavelmente reservada à a quem possui nostalgia por este, o que não é meu caso.

Desculpe o conservadorismo, mas para um filme de pretensões infantis, talvez seja mais “apimentado” que o necessário.


MIDNIGHT COWBOY, EUA 1969 - Dir.: John Schlesinger
Apoia-se em seu varguardismo, e como esse, envelheceu. Mas ainda é válido acompanhar a cativante amizade de Dustin Hoffman e John Voight, soberbos. O final acaba sendo previsível e choca bem menos do que pretende. Um bom filme e não mais que isso.

RINGU, JAPÃO 1998 - Dir.: Hideo Nakata
A obscuridade do longa de Nakata é realmente boa para a atmosfera do filme, que traz pânico mesmo a quem já conhece a saga de Samara. A filmagem do pesadelo e os flashes destes, perturbadores. Um terror eficiente, peca um pouco na narrativa, mas eficiente.

THE SUICIDES VIRGINS, EUA 1999 - Dir.: Sofia Coppola
Todo o  drama da adolescência feminina filmadas sob a ótica do gênero masculino. Visão de mistério e estranheza, nos costumeiros planos lirícos de trilha sonora pop de Sofia Coppola.

Merece sem dúvidas ser revisto, já que assitido às 3am em um Intercine dublado.

Com resenha no blog:
SIGNS, EUA 2002 - Dir.: M. Night Shyamalan
THE HAPPENING, EUA 2008 - Dir.: M. Night Shyamalan
THIS PROPERTY IS CONDEMNED, EUA 1966 - Dir.: Sidney Pollack
UNBREAKABLE, EUA 2000 - Dir.: M. Night Shyamalan

Vistos, mas merecem textos melhores:
CARNE TRÉMULA, ESPANHA 1997 - Dir.: Pedro Almodóvar
DOGVILLE, DINAMARCA 2003 - Dir.: Lars Von Trier

WALL-E, EUA 2008 - Dir.: Andrew Stanton

THE HAPPENING, EUA 2008

Acaba sendo comum assitir às obras de Shyamalan subestimando-as. Até mesmo quem conhece o diretor, o aprecia, vê sempre o viez do suspense como máxima. Erra. Cada vez com mais força o diretor indiano aprofunda seus filmes tendendo teorias sociológicas, que nem sempre são imagináveis em sinopses como a dessa obra.

Em “The Happening”, a natureza depois de assitir por tempos o homem se auto-extinguindo, resolve salvar-se, dando um ‘empuranzinho’ à população que a está levando junto, inutilizando o extinto humano de auto-preservação. O roteiro do longa faz caricatura. Generaliza e dá forças: o homem está se matando, inutilizado o sentido que o previne disso, o resultado é o suicídio em massa. O instinto máximo do homem vem se tornando a busca pela unicidade (sim, física) no mundo. “Perdemos contato. Com quem? Com todos.”

O homem em escala desevolutiva. Shyamalan desenvolve em seus personagens destacando que dentro do homem permance a animalidade e toda a fraqueza escondida atrás da racionalidade. O homem inerte frente ao que não controla, as ações dos personagens são como criaturas mínimas indo de um lado ao outro, em desespero, pela simples sobrevivência.

Há adição de comicidade no contexto. Como depois de anos inerte, o monstro levantasse, mostrando então a superioridade. Cômico ver a irônia de se fugir do vento ou pedir clemência à uma planta (de plástico).

O longa parece conter cada uma das vulnerabilidades do mundo humano. O que dizer  quando, depois de inúmeros corpos se atirarem de um prédio, alguém olha para cima, olhando, talvez não, mas clama: “Meu Deus”. A fraqueza do homem frente a possibilidade de estar sozinho.

Existem deslizes: se em um momento é sútil e áspero dizendo “olha, é tudo falso” em outro é totalmente dispensável e panfletário quando diz “vocês mereceram tudo isso”. E se em uma cena sabe chocar deixando o subconsiente formar a imagem, no outro utiliza recursos de som para ‘atenuar’, estragando algo que provavelmente era brilhante.

Mas as sutilezas parecem somar mais. Na última cena citada, Shyamalan já se remenda. Depois do choque, o diretor contempla o pânico (o que prova que aquele recurso foi um dos mais infeliz de sua carreira) dentro de um carro, mas muito diferente do restante de sua filmografia, os passageiros sentem-se seguros trancados ali. Shyamalan eleva a câmera, um furo no isolamento humano dentro de suas invensões. John Leguizamo, ótimo, tenta acalmar mas está no seus olhos o que virá. Sutíl e áspero, triste.

E defendo que John Leguizamo não esteja sozinho na excelência do elenco apedrejado. A personagem caricatural e exagerada de Deschanel, culpada por um tiramissu. Mais seria só mesmo um tiramissu? O mundo ruiu antes que outra coisa acontecesse. E quando pondera suas ações, também não é pálida.

Wahlberg me agrada muito. O ser-humano entra em certo desconserto frente ao perigo. Não seria estereótipo demais se fosse o esperado? Certo que não é seu melhor momento, mas de ruim está longe. Talvez sua interpretação tenha um ponto máximo em um momento do filme, que talvez seja pura bobagem, a resposta ao tiramissu seria real ou apenas um perdão? Assim sendo a atuação de Mark Wahlberg não estaria excelente naquele momento?

Me corrói um pouco os momentos finais. Mas os inúmeros elogios que fiz, me faz repensar inúmeras vezes a respeito desse. Provavelmente, “The Happening” é mais um filme de Shyamalan que irei rever várias vezes e descobrirei sempre o novo. O Sergio Alpendre, do Chip Hazard, disse um ótima verdade na sua resenha desse mesmo filme. Poucos como Shyamalan nos fazem pensar tanto em suas obras nos dias de hoje. São pinturas à se reparar não na superfície, mas em cada pincelada. E isso não é ótimo?

THE HAPPENING

M. NIGHT SHYAMALAN:
Lady In The Water
Unbreakable
The Happening
Signs
The Sixth Sense 
The Village

[...]²

Eu sei que prometi THE HAPPENING hoje, mas não consigo ficar inerte frente a WALL-E. Cenas do próximo capítulo imediato…

[...]


Sábado, textinho.

MATCH POINT, UK 2005

Créditos inicias, em preto e branco, ordem alfabética. Sorte. Alguns minutos, um close no mais famoso livro de Dostoévsky: é um subtítulo que não entendemos à primeira vista, irônico. Mas tudo é raso, é um pano no fundo, algo mais acontece à frente com Chris Wilton.

Woody Allen cria um de seus personagens mais complexos, o aprofunda extremamente e bem. Por mais auto-indulgente que seja, o personagem de Rhys Meyers (excelente, como ser-humano comum, como vilão pastel, como falso melodramático, como um Ripley) está sempre deixando-se levar, o que facilita entender seus atos. Depois de uma teorização através de um roteiro assustadoramente bom, menos importa ação, mais importa o que irá ocorrer com o casal principal, fechado com uma Scarlet Johansson tão talentosa quanto linda, de femme fatalle à adolescente apaixonada - força demonstrada no ódio ao apertar sutilmente mais forte uma taça até exageros inconscientes como roer unhas e puxar os cabelos.

O Woody Allen Diretor aparece aqui também em um de seus melhores trabalhos (provavelmente um de seus três melhores trabalhos). Maniqueísta como seu personagem, após compor seus coadjuvantes, usa-os como marionetes, nenhum acaso ocorrerá ali, tudo muito óbvio, como se nenhum deles realmente pudesse manifestar ação além de aguardar o que a vida lhes reserva. E ali Allen decupa maravilhosamente bem cada quadro, atenuando nossa visão aos agentes modificadores da vida de Chris e Nola: focalizando a sogra de Chris por detrás da cabeça de seu sogro, então entedemos que algo virá através de um olhar; atenuando a abrangência dos quadros junto com a fotografia, mais vívida, para filmar uma das mais tórrida cenas de sexo da década (brilhantemente, também uma das menos vulgares); utilizando rimas visuais em duas cenas onde engana o espectador que facilmente pensa identificar o fim da trama; inúmeros elementos que nunca havíamos visto em sua filmografia, aqui aguçam os sentidos como se por mais óbvio que parecesse o pessimismo habitual, não existisse aqui. E existe? Pautável sob as lentes desse Match Point.

O ato final é brilhante. O frio com que Londres é filmada, as sombras que atenuam aos poucos, mas que jamais encobrem os cenários por completo, o charme por detrás do que não se vê e a crueza que as substitui.

O diretor também filma seu elo de forma um bocado hitchcock. Os atos de Chris são sempre acompanhados de uma tensão por algo que não ocorre, o diretor adere a sorte às cena, a trilha sonora lembra tragicidade, nos engana (e novamente, engana?).

Já comentei as duas atuações principais. Mas comentei pouco ao que merecem. São impressionantes na realidade, nunca exasperadas, transitam para chegar no ponto ideal, nunca alterações brucas. Os dois atores são calmos no que fazem, por isso fazem bem. Talvez por saírem do estereótipo são tão reais, não são um leque de possibilidades, as afetações que os ocorrem são desenhadas sempre iguais em seus rostos.

Match Point é bom o suficiente para poder ser ambíguo sem ser ruim. O julgamento não parte das mãos de Woody Allen, incrível, também não parte das nossas. Vilão e mocinha são potenciais, os personagens são apolares, multilaterais. São duas pessoas que sempre nos farão pensar a seu respeito, analisaremos, mas a conclusão será sempre mutável.

MATCH POINT

W-aaal-ee

WALL.E MEETS A HEADPHONE

WALL.E MEETS A HULLA HOOP

WALL.E MEETS A MAGNET

BEING JOHN MALKOVICH, EUA 1999

Ser amado. Nenhum único ser-humano conseguiu aproveitar sua vida sem por um único instante ter essa necessidade. E o que fazer quanto a isso? A que estaria disposta a população a fazer para conseguir atenção a si? Mudar e ser outra pessoa. Deixar o que seria um egoísmo (de ter o que se ama,/ser o que se gosta) para se adequar. É triste, mas até que ponto? Mais que a solidão?

Craig recebe amor, mas, por ele, há que se perguntar quanto amor é necessário. O personagem quer ser aceito por toda uma sociadade, mas seus tristres títeres só são vistos por ele próprio, que os expressas ao máximo e onde assisti a sua própria conscência talhada em madeira com o som mais depressivo e opressivo ao fundo.

Lotte certamente não é amada pelos humanos, apresenta um deplorável físico que mostra sua tristeza interna; a por detrás da existência de um sorriso, desmentido por um olhar imutável triste. Lotte recebe amor de seus animais, mas talvez não receba amor nem de si mesma, não exibe personalidade, é estranha até a si própria.

Maxine, detém a força de seu nome em sua vida também. Mesmo? Maxine não recebe amor, não sente sua falta por também não o dar. E quando pode por uma vez, muda. É tão fraca quanto outro ser-humano.

Tudo isso colide, explode dentro dos personagens. Imaginar ser outro é imaginar que é simplesmente melhor. Ignorar que os outros possam ter problemas. A frase “ele parece ser sozinho” é complementada por um “e daí” que nunca é dito. E se você pudesse habitar esse ser utópico perfeito? A força da possibilidade é a mesma de um longa que o traz como idéia para expressar a mais triste solidão de três pessoas.

Um filme psicoanalítico que não se deixa nunca ser engolido por sua tese. O foco é sempre Craig-Lotte-Maxine, representados em frames sujos e escuros. O longa é a imagem de suas vidas -tristes. Há que se pensar se as próprias imagens que vemos não são visões pessoais do ego de cada um.

Spike Jonze dirige insanamente o que leva a sério. Tenta deixar “Being John Malkovich” ser o portal para que permaneçamos 112 minutos dentro daquelas cabeças. Consegue, e faz pensar em cada sutileza que existe de nós mesmos ali, cada fraqueza que compartilhamos por aquelas excentricidades de seu longa. Charlie Kauffman-gênio por escrever algo tão complexo sem minimizar nada, sem complicar tudo. A idéia de “Being John Malkovich” é nítida. É uma belíssima expressão de uma das tristezas do ser-humano moderno, adequar ao que a propaganda midiática informa como correto e incorreto, intransigente, para receber qualquer forma de amor. Mesmo o próprio.

BEING JOHN MALKOVICH

Vicky Cristina Barcelona Benjamin Bunton Ethan Joel Coen

BURN AFTER READING

CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON

VICKY CRISTINA BARCELONA

TOP 2000-2009

Mudanças de planos. Somos todos sucetíveis a humor, e me reter a assistir filmes de um único ano estava deixando a coisa bem chata. Logo, em sete anos temos mais opções. Então vai a lista de todos os filmes da década (na verda, apenas 2000-2007) que quero ver/rever para montar a lista de melhores da década.
Previsão para postagem: Março/2009 (1 ano do blog)

Aqui :)

THIS PROPERTY IS CONDEMNED, EUA 1966

O que o comum comprometeria com uma história batida é praticamente anulado por uma direção magistral, tão quanto seu encantador elenco, além de um roteiro (de Coppola) que consegue esquivar-se bem o suficiente para criar essa obra, dentre as primeiras da carreira de Sidney Pollack.

Uma história bobinha, aquele velha sobre a cidade onde nada muda; pessoas sonhando com o longe, mas condenadas a permanecer como elementos de uma gravura cinza, quase morta.

Cada personagem possui um brilho, dono do “quase” na gravura morta. Os nomes óbvios de Alva e HAZEl: Natalie Wood com o brilho dos olhos por uma cidade inteira, e uma beleza que torna dispensável dizer qualquer explicação a respeito da obsessão masculina por ela; a interpretação de Kate Reid me impressiona pela força depreciativa que sua personagem traz às cenas; direito à verruga de bruxa, e aquela vontade que deixa de vingar-se lhe dando um belo murro na cara.

Depois da primeira cena, onde uma criança parecendo ter sua infância violada, Mary Badham não precisa de muito para ser a fonte de toda a tristeza daquela lugar. O coadjuvante Sidney (Robert Blake) também muito bom em seu curto espaço: expressões de um ator saído de um filme-mudo.

Sidney Pollack sabe filmar aquele lugar triste sem melodramatizar demais (amparado pela fotografia viva). Se Coppola diz que New Orleans é tão perto, Pollack contradiz de forma bela o roteirista, filmando aqueles trilhos como uma estrada sem fim. Como os filmes da categoria, a nostalgia era indispensável. O diretor consegue o êxito de todo o filme quando voltam grosseiramente, na última vez que Alva vê sua cidade, sem a necessidade de mostra flashbacks, as memórias que temos dali. O espantalho, os rostos tristes de cada um daqueles operários, o açude, o espantalho ruivo e, óbvio, a pensão; parecemos estar lembrando de tudo junto com Alva, enxergamos cada vez que ela esboçou sua fuga, cada vez que seu olhar ficou distante; somos capazes de criar imagens de tudo em nossa cabeça no espaço que o longa nos dá até chegarmos na “cidade-grande”

“This Property Is Condemned” traz sim, algumas vezes, as mesmices dos filmes com sua mesmo centralidade, mas não irrita, vez que cria ao invés de se apropriar de nostalgia, o que é bastante elogiável. É sempre cativante, nos estimula a sonhar por seus personagens quase sempre desesperançosos. Um filme clichê, mas de brilho próprio.

THIS PROPERTY IS CONDEMNED